Mais do que renda
A meta brasileira diferencia pobreza monetária e não monetária e orienta atenção especial a grupos mais vulneráveis, incorporando dimensões como saúde, serviços básicos, moradia adequada e direitos.
“A Agenda 2030 é a nossa Declaração Global de Interdependência.”
António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas
A Agenda 2030 não surgiu de um único encontro. Ela é resultado de décadas de debates internacionais sobre desenvolvimento humano, meio ambiente, redução da pobreza e cooperação entre países.
Em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, conhecida como Rio 92, reuniu mais de 100 chefes de Estado no Rio de Janeiro. O encontro discutiu como garantir às futuras gerações o direito ao desenvolvimento sem comprometer o meio ambiente.
Na Declaração do Rio, os países reconheceram a necessidade de promover o desenvolvimento sustentável e colocaram os seres humanos e a proteção ambiental no centro desse processo. Também adotaram a Agenda 21, uma referência internacional para orientar um novo padrão de desenvolvimento no século XXI.
Vinte anos depois, a Rio+20 retomou esse compromisso. O documento final, O Futuro que Queremos, ajudou a lançar as bases do processo intergovernamental que levaria à criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.


Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) nasceram de uma série de cúpulas multilaterais realizadas durante os anos 1990 e foram adotados em 2000. Com oito objetivos, eles formaram o primeiro grande arcabouço global de políticas para enfrentar a pobreza e outras privações.
Durante 15 anos, os ODM orientaram ações de governos nos níveis internacional, nacional e local. Em 2010, a Cúpula das Nações Unidas sobre os Objetivos do Milênio pediu a aceleração de sua implementação e solicitou recomendações para a agenda que viria depois de 2015.
Após a Rio+20, começou um amplo processo de consulta para definir uma nova agenda global de desenvolvimento. Diferentemente do processo dos ODM, a elaboração dos ODS envolveu uma participação mais ampla de governos, sociedade civil, comunidade científica e sistema das Nações Unidas.
O Grupo de Trabalho Aberto para a elaboração dos ODS, composto por 70 países, reuniu contribuições e experiências diversas. Em agosto de 2014, o grupo consolidou a proposta dos novos objetivos.
Em setembro de 2015, representantes dos 193 Estados-membros da ONU adotaram o documento “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, estabelecendo os 17 ODS e suas 169 metas.


A Agenda 2030 é um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, que também busca fortalecer a paz universal. Sua estrutura reúne uma declaração, os 17 ODS e 169 metas, meios de implementação e parcerias globais, além de mecanismos de acompanhamento e revisão.
Os objetivos são integrados e indivisíveis e procuram equilibrar as dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento sustentável. Na prática, funcionam como uma referência comum para governos, sociedade civil, empresas, academia e cidadãos.
A Agenda 2030, adotada pelos Estados-membros da ONU em 2015, organiza o compromisso global em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas. No Brasil, a nacionalização das metas adaptou esse marco às características sociais, econômicas, ambientais e institucionais do país e incorporou o ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial.
O objetivo da nacionalização não é reduzir a ambição global, mas tornar as metas mais relevantes, factíveis, mensuráveis e úteis para o planejamento, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas no contexto brasileiro.
O relatório Nacionalização da Agenda 2030 registra um processo de revisão técnica, articulação governamental e participação social para aproximar as metas globais das condições e prioridades nacionais.
Fonte: Ipea, Nacionalização da Agenda 2030, 2026.
A revisão combinou rigor técnico, integração institucional e participação social. O processo partiu de uma solicitação da CNODS e foi conduzido em etapas sucessivas de análise, pactuação, consulta e validação.
A CNODS solicitou a atualização. O Ipea elaborou a proposta metodológica com critérios, etapas e instrumentos e a apresentou à comissão.
Grupos temáticos intersetoriais analisaram fichas com meta nacional, justificativa, conceitos, indicadores e órgãos responsáveis.
Foram convidados 38 ministérios e órgãos com status ministerial, a assessoria da Presidência e outros 37 órgãos, totalizando 77 instituições.
Representantes de 50 órgãos formaram grupos de trabalho para construir uma segunda versão das metas nacionais.
As propostas foram publicadas no Brasil Participativo. As 167 metas submetidas receberam manifestações, somando 448 contribuições.
As contribuições foram avaliadas pelos grupos do Ipea; 47 comentários foram incorporados total ou parcialmente antes da validação final e do encaminhamento à CNODS.
Aderência às metas globais, sem reduzir seu alcance ou sua magnitude.
Objetividade, com dimensionamento quantitativo quando os dados disponíveis permitissem.
Respeito a compromissos nacionais e internacionais já assumidos pelo Brasil.
Coerência com planos nacionais aprovados pelo Congresso Nacional, incluindo o Plano Plurianual.
Atenção às desigualdades regionais, de gênero, raça, etnia, geração e condição socioeconômica, entre outras.
Monitoramento por indicadores, preferencialmente apoiados em dados produzidos de forma regular.
A adaptação procura traduzir compromissos universais para situações concretas do Brasil, sem abandonar a referência global. O relatório mostra essa lógica em diferentes ODS.
A meta brasileira diferencia pobreza monetária e não monetária e orienta atenção especial a grupos mais vulneráveis, incorporando dimensões como saúde, serviços básicos, moradia adequada e direitos.
A adequação explicita povos indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais e incorpora a ideia de alimentos seguros, adequados, saudáveis e compatíveis com especificidades culturais.
A metodologia exige atenção a desigualdades regionais, de gênero, raça, etnia, geração e condição socioeconômica, além de priorizar indicadores com fontes, periodicidade e instituições responsáveis.
O Ipea liderou uma proposta de adaptação das metas globais à realidade brasileira.
A CNODS foi reinstalada e os trabalhos de coordenação nacional foram retomados.
Avançaram a construção de metas e indicadores do ODS 18 e a revisão das metas dos 17 ODS globais.
O Ipea reuniu metodologia, metas brasileiras, justificativas, conceitos e subsídios para indicadores nacionais.
O processo de construção do ODS 18 começou em junho de 2024 e foi organizado por meio de oficinas técnicas amplas e grupos de trabalho por meta. Participaram órgãos governamentais, instituições de pesquisa, universidades, organismos internacionais, bancos públicos, organizações da sociedade civil e movimentos sociais.
As oficinas foram coordenadas pelo Ministério da Igualdade Racial e pela CNODS, com assessoramento técnico do Ipea, IBGE e Fiocruz e apoio do Observatório ODS 18. Os indicadores foram divididos em principais — incluindo indicadores específicos e indicadores já existentes com dados desagregados — e adicionais, destinados a temas transversais ou ainda em desenvolvimento.
Para cada meta, foi usada uma ficha técnica com definição, conceitos, responsáveis, fontes e propostas de indicadores. Após sucessivas rodadas de revisão, as metas e os indicadores foram consolidados e submetidos à CNODS.
Os 17 ODS formam a estrutura global das Nações Unidas. O ODS 18 integra a Agenda Nacional brasileira com foco específico em igualdade étnico-racial.
Passe o mouse sobre cada objetivo para ver o nome e uma explicação resumida. Em dispositivos móveis, as informações aparecem diretamente nos cards.
ODS 1Erradicação da PobrezaAcabar com a pobreza em todas as suas formas.
ODS 2Fome Zero e Agricultura SustentávelCombater a fome e promover sistemas alimentares sustentáveis.
ODS 3Saúde e Bem-EstarPromover saúde e bem-estar para todas as pessoas.
ODS 4Educação de QualidadeGarantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade.
ODS 5Igualdade de GêneroAlcançar a igualdade de gênero e ampliar direitos e oportunidades.
ODS 6Água Potável e SaneamentoGarantir água segura e saneamento para todos.
ODS 7Energia Limpa e AcessívelAmpliar o acesso à energia confiável, moderna e sustentável.
ODS 8Trabalho Decente e Crescimento EconômicoPromover trabalho digno e crescimento econômico inclusivo.
ODS 9Indústria, Inovação e InfraestruturaFortalecer infraestrutura resiliente, indústria sustentável e inovação.
ODS 10Redução das DesigualdadesReduzir desigualdades dentro dos países e entre eles.
ODS 11Cidades e Comunidades SustentáveisTornar cidades e comunidades mais inclusivas, seguras e resilientes.
ODS 12Consumo e Produção ResponsáveisPromover padrões sustentáveis de produção e consumo.
ODS 13Ação contra a Mudança Global do ClimaAdotar medidas urgentes para enfrentar a mudança do clima.
ODS 14Vida na ÁguaConservar e usar de forma sustentável oceanos, mares e recursos marinhos.
ODS 15Vida TerrestreProteger ecossistemas terrestres e a biodiversidade.
ODS 16Paz, Justiça e Instituições EficazesPromover sociedades pacíficas, acesso à justiça e instituições eficazes.
ODS 17Parcerias e Meios de ImplementaçãoFortalecer meios de implementação e parcerias para o desenvolvimento sustentável.
Enfrentar o racismo e promover a igualdade étnico-racial no contexto brasileiro.
Relatório Institucional coordenado por Helder Rogério Sant’Ana Ferreira e publicado pelo Ipea em 2026. O documento detalha, ODS por ODS, as metas brasileiras, as justificativas das adequações, os conceitos utilizados, os indicadores globais e os subsídios técnicos para indicadores nacionais.
Esta página apresenta uma síntese editorial do relatório. Para consulta técnica, use sempre o documento original.
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